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MPCE aponta que atuação de advogados fortalece o CV no Ceará

MPCE aponta que atuação de advogados fortalece o CV no Ceará

A atuação de advogados nas facções criminosas do Ceará, evidenciada na recente operação Mensageiros do Crime, acende um alerta sobre a conivência de profissionais da lei com a criminalidade. A investigação do Ministério Público do Ceará (MPCE), que ocorreu nesta terça-feira (30), revelou que esses advogados atuavam como intermediários, facilitando a comunicação entre líderes de facções prisionais e seus comparsas em liberdade.

De acordo com os dados apresentados pelo promotor de Justiça, Oscar Stefano, em entrevista à TV Verdes Mares, esse intercâmbio de informações tem impulsionado significativamente o crescimento da facção Comando Vermelho (CV) no estado. Ele observou que o fortalecimento da facção, notório desde meados de 2025, deve-se à migração de lideranças da Massa Carcerária para o Comando Vermelho, muito por conta das operações desses advogados que, gravados e filmados, mantinham esse elo perigoso entre os comandantes dos crimes.

Crescimento do Comando Vermelho no Ceará

As informações coletadas pelo MPCE mostram que, após a migração de líderes da Massa Carcerária para o Comando Vermelho, a facção ganhou força considerável. “Não se pode afirmar que o Comando Vermelho é a facção dominante hoje, mas seu crescimento é exponencial”, disse Stefano. Além disso, as gravações apresentadas evidenciam o papel crucial dos advogados nesse processo, que facilitaram o recrutamento e a comunicação entre facções rivais.

Operação Mensageiros do Crime

A operação, realizada pelo MPCE, cumpriu 29 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão em várias localidades do Ceará, incluindo Fortaleza, Aquiraz, e Caucaia, além de São Paulo. Neste contexto, foram presas 17 pessoas ligadas a chefes de facções. A surpreendente revelação é que 15 desses chefes já estavam em unidades prisionais de segurança máxima, enquanto 11 advogados foram detidos, sendo que um permanece foragido.

O cenário é alarmante, com a solicitação de bloqueio de R$ 20 milhões das contas dos investigados e apreensão de bens luxuosos como um veículo Range Rover blindado, além de celulares e joias. Os resultados da operação revelam uma rede bem estruturada de advogados envolvidos na práticas ilícitas, utilizando seu conhecimento para extrapolar a função legítima da advocacia e se transformarem em canais de comunicação para a criminalidade.

Implicações da Atuação dos Advogados

As provas obtidas pela equipe de investigação revelam que esses advogados, identificados como “pombos-correio”, não atuam sozinhos. Ao contrário, existe uma rede interconectada entre os profissionais, uma vez que há referências mútuas nas conversas interceptadas. Essa dinâmica sugere que não se trata de ações isoladas, mas sim de um sistema organizado que viola as normas éticas da profissão.

Analisando o Sistema Integrado de Gestão Penitenciária (Sigepen), a pesquisa apontou que muitos advogados visitam repetidamente os mesmos detentos, com um volume de atendimentos que ultrapassa as práticas comuns de assistência jurídica. Essa sobrecarga de atividades levanta questões sérias sobre a verdadeira natureza do serviço que esses profissionais estão prestando.

A vigilância do MPCE sobre essa rede clandestina pretende não apenas responsabilizar os envolvidos, mas também inibir futuras ações similares. O enfoque nas atitudes dos advogados coloca em luz a necessidade de reavaliar as práticas da advocacia e a sua relação com o sistema criminal, a fim de assegurar que a legalidade seja a norma, não a exceção.

O desdobramento desses eventos exige uma abordagem rigorosa e um comprometimento à ética profissional, a fim de restaurar a confiança nas instituições jurídicas e prevenir uma associação ainda mais forte entre os sistemas legal e criminoso.

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Assim, o esclarecimento sobre a infiltração de profissionais do direito no mundo do crime é essencial para a proteção da sociedade e a integridade do sistema judiciário.

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