Dinheiro desviado pela COAPH: impacto em vereador e samba no RJ

Dinheiro desviado pela COAPH: impacto em vereador e samba no RJ

Documentos que apuram o esquema de notas frias ligado à Cooperativa de Atendimento Pré e Hospitalar (COAPH) indicam repasses para uma escola de samba de Niterói, no Rio de Janeiro, para um gestor da Secretaria de Turismo do Ceará (Setur/CE) e para um vereador eleito em Horizonte. As transferências teriam sido feitas por meio da empresa New Consultoria e Assessoria, apontada como “noteira” no esquema. O esquema, segundo a apuração, era operado por Lúcio Domingos e Cesar.

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No dia 21 de agosto de 2024, Cássio Sales encaminhou a chave Pix de Alaécio Gomes Agostinho para um repasse, também executado por Cesar no mesmo modelo. O valor não consta no material analisado.

Alaécio foi eleito vereador de Horizonte nas eleições de 2024. A presença de um agente político eleito entre os beneficiários levanta, segundo a apuração, a possibilidade de finalidade político-eleitoral.

Repasses e Suspeitas no Esquema da COAPH

No dia 26 de agosto de 2024, Lúcio teria encaminhado a Cesar dados bancários de Raul Silva da Costa para um repasse de R$ 150 mil, também pago pela New Consultoria. Na época, Raul era gerente executivo comissionado em Aracati, vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano. Atualmente, ele é responsável pela Superintendência de Gestão dos Equipamentos Turísticos da Secretaria de Turismo do Ceará (Setur/CE).

O repasse, feito por uma empresa com indícios de ser fictícia, é tratado como indício de que ele teria sido beneficiário final ou interposta pessoa no direcionamento dos recursos.

No dia 04 de setembro de 2024, Lúcio teria encaminhado a Cesar dados bancários do Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, em documento assinado por Wallace Alves Palhares, presidente administrativo da agremiação. Em seguida, solicitou o repasse de R$ 30 mil para a conta da escola, pagamento executado por Cesar via New Consultoria.

Relação com Políticos e Consequências

O vereador de Niterói, Anderson José Rodrigues, conhecido como ‘Anderson Pipico’, é citado como presidente de honra da Acadêmicos de Niterói. A relação é mencionada em publicações no Instagram de Pipico e de Wallace, em que Wallace confirma o título.

Em análise preliminar, a conta da escola teria sido usada como ponto de recebimento de valores com indícios de origem no esquema da COAPH. Essa prática gera sérias preocupações sobre a influência de atividades ilícitas em organizações que deveriam ser voltadas para o lazer e cultura.

A Implicação Política dos Repasses

A presença de agentes políticos nesse contexto eleva a gravidade da situação. As transferências de valores para pessoas ligadas a cargos públicos ou políticos levantam questões sobre como recursos públicos podem estar sendo desviados ou utilizados para fins eleitorais.

O fato de que um vereador eleito tenha raízes em transações suspeitas destaca a necessidade de uma investigação mais profunda. A apuração não deve se restringir apenas aos indivíduos diretamente envolvidos, mas deve se estender a toda a rede de relações políticas e financeiras.

Esses indícios de má conduta necessitam de uma resposta vigilante por parte das autoridades responsáveis. A integridade institucional depende de medidas eficazes para combater a corrupção e garantir a transparência nas finanças públicas.

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Esses eventos ilustram uma intersecção perigosa entre política e ações ilícitas. O monitoramento rigoroso e a responsabilização adequada são essenciais para restaurar a confiança do público nas instituições.