PF aponta atuação de suposto operador da COAPH em fraudes políticas

A Polícia Federal (PF) aponta o empresário Cássio de Melo Sales como um dos operadores financeiros ligados ao suposto desvio de recursos da Cooperativa de Trabalho de Atendimento Pré e Hospitalar (COAPH). Segundo a investigação, ele atuaria ao lado do contador César Agamenon em um esquema baseado na emissão de notas fiscais inidôneas.

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Conforme as investigações, Cássio Sales seria responsável por manter uma estrutura de empresas fictícias, utilizando testas-de-ferro e ‘laranjas’, para operacionalizar desvios de recursos na COAPH e em entidades similares. A PF menciona tratativas relacionadas à constituição e renovação de CNPJs destinados à prática delitiva, além da indicação de terceiros para o recebimento dos valores.

Ainda segundo a PF, o empresário atuaria no desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares e indicaria agentes públicos para receber vantagens indevidas. A investigação sugere que Cássio manteria contato direto com agentes políticos beneficiários do esquema.

A apuração indica que outras pessoas jurídicas seriam utilizadas no arranjo, incluindo a IGMC Serviços Médicos e Saúde Ltda, que, segundo a PF, seria controlada na prática por Fábio Dantas e utilizada nos esquemas atribuídos a Cássio e a César.

Núcleo familiar e pagamentos

Conversas de WhatsApp atribuídas a Joseani Sales Cassiano Pequeno, secretária de Cássio, constam no relatório. Nelas, há solicitações para que César realizasse pagamentos de boletos e repasses relacionados a bens do núcleo familiar de Cássio.

Entre os beneficiários citados estão familiares diretos. Os recortes analisados pela PF mostram pagamentos de parcelas de imóveis e outras despesas patrimoniais, que teriam sido operacionalizados por César a mando do núcleo Cássio–Joseani, com recursos oriundos de notas fiscais fraudulentas e contratos simulados.

Um exemplo destaca que Joseani teria solicitado o pagamento de uma parcela de contrato vinculado a um imóvel em nome de Nazaré de Melo Sales, mãe de Cássio. Após o pagamento, solicitou a emissão de nova nota fiscal pela empresa ML Farma Comércio de Medicamentos e Material Hospitalar Ltda.

Movimentações e lavagem

Um extrato bancário da empresa New Consultoria e Assessoria, apontada como empresa noteira, revelou, em um mesmo dia, créditos simultâneos da ML Farma e da IGMC. Nesse mesmo dia, segundo a PF, César teria sacado R$ 649.999,00 em espécie, por meio de saque e cheque.

Em outra data, o extrato da New registrou créditos da COAPH, IGMC, ML Farma e do Laboratório Labmed, seguidos de retirada de R$ 800 mil em espécie. Para a PF, o padrão de entradas múltiplas e saques imediatos configura indícios de lavagem de dinheiro nas fases de colocação e dispersão.

Patrimônios em nome de terceiros

Foi identificado no nome de Cássio de Melo Sales apenas um imóvel, com a indisponibilidade decretada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 7ª Região em 22 de agosto de 2023. Para os investigadores, a discrepância entre os pagamentos patrimoniais realizados por César e o baixo número de bens em nome de Cássio reforça a tese de ocultação através de terceiros.

Seis veículos foram identificados em nome de Cássio e de seus familiares diretos. Dentre eles, um Porsche Cayman S 3.4, avaliado em R$ 321.494,00, que é considerado incompatível com a renda declarada.

A PF ainda menciona um apartamento no Condomínio Next, no bairro Meireles, em Fortaleza, vinculado à mãe de Cássio, onde o empresário aparece como beneficiário real, embora não seja o proprietário formal.

Outros operadores e extensão para outras OS

O relatório cita David Manciny Furtado de Galiza como integrante do esquema, atuando com Cássio e César na etapa operacional, fornecendo empresas e documentos que dão aparência de legalidade às transações. Segundo a investigação, Galiza teria aproximado Cássio de César e buscado orientações sobre constituição de holdings patrimoniais.

A investigação sugere que Cássio também operaria desvios no Instituto de Gerenciamento Médico (IGM), com práticas semelhantes, como emissão de notas, repasses e devoluções em espécie, indicando repetição do modus operandi em diferentes frentes.

Conforme diálogos entre César e Aerton analisados pela PF, há menções a recursos possivelmente vinculados a emendas parlamentares. O relatório mostra que, em aproximadamente 100 dias, César teria operacionalizado mais de R$ 20 milhões, somando operações com Péricles e com o eixo Cássio/David Galiza. Em um contexto similar, há referências a uma “parada” de R$ 165 milhões e a informação de que Rubens Neto teria desviado mais de R$ 30 milhões, utilizando nove pessoas jurídicas.

A PF também anexou um relatório de faturamento da COAPH entre janeiro e julho de 2024, que totalizou R$ 254.849.591,74, um valor considerado compatível com a capacidade de geração de caixa mencionada nas investigações.

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A Polícia Federal ressalta que as inferências se baseiam em conversas, comprovantes, notas fiscais e metadados analisados até agora e permanecem sujeitas a validação por novas diligências, sem que a menção a nomes importe qualificação prévia como investigados.